IDOMED oferece curso gratuito sobre letramento étnico-racial na saúde
Formação gratuita tem 40 horas e aborda racismo, equidade e prática clínica inclusivaNo mês em que se celebra o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho), o Instituto Yduqs e o IDOMED seguem a disponibilizar de forma gratuita o curso de letramento étnico-racial como parte do programa Mediversidade. A formação voltada a estudantes, docentes, colaboradores e profissionais da saúde, possui 40 horas de carga horária.
Os quatro módulos tratam de temas como autoconhecimento, manifestação do racismo na prática clínica, estratégias de enfrentamento e o papel de cada pessoa no processo de transformação institucional. Os interessados podem acessar todo o conteúdo clicando aqui.
"O curso de letramento étnico-racial reforça o nosso compromisso com uma educação médica mais inclusiva. Ele amplia o acesso a conteúdos que estimulam a equidade e contribuem para formar profissionais mais conscientes, empáticos e preparados para atuar em uma sociedade diversa. Democratizar o ensino também significa reconhecer e valorizar as experiências de grupos historicamente minorizados. Iniciativas como essa são fundamentais para transformar realidades e gerar impacto positivo — dentro e fora da sala de aula", destacou Cláudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do Grupo Educacional Yduqs.
A ação reforça o compromisso do programa Mediversidade com a formação médica mais inclusiva. Dados de pesquisas nacionais e internacionais apontam que mulheres negras sofrem mais violência obstétrica, têm acesso mais restrito a cuidados especializados e maior subestimação da dor — elementos diretamente relacionados à formação e à atuação dos profissionais de saúde.
*Programa Mediversidade*
O Mediversidade foi lançado em 2024 no Fórum de Diversidade do Instituto Yduqs como um programa pioneiro no Brasil, com o objetivo de tornar o ensino da medicina mais diverso e atento aos impactos dos vieses sociais. A iniciativa surgiu a partir do dado de que apenas 4,5% das ilustrações em literatura médica representam peles negras — o que evidencia lacunas no processo formativo.
“O Mediversidade é mais do que uma iniciativa, é um movimento contínuo de transformação. Temos o dever de garantir que nossos futuros médicos compreendam e respeitem a pluralidade da população brasileira, especialmente no cuidado com as populações mais vulnerabilizadas”, destaca Silvio Pessanha Neto, CEO do IDOMED.
Com três pilares principais — Ensinar, Incluir e Mobilizar — o programa reúne metas de curto, médio e longo prazos. Entre elas: a revisão da matriz curricular dos cursos de Medicina (com 70% das unidades prevendo mudanças até 2026), a criação de um fundo para apoiar pesquisas sobre diversidade, a ampliação de vagas afirmativas para docentes e a reserva de 10% das bolsas sociais para estudantes negros, indígenas e pessoas com deficiência.
Em 2025 a obra literária Nigrum Corpus, desenvolvida pelo Instituto Yduqs, IDOMED e Artplan, que reúne um estudo sobre o racismo no Brasil com relatos e dados reais, ganhou o Grand Prix na categoria Industry Craft, na maior premiação de criatividade do mundo, o Cannes Lions. O primeiro prêmio da categoria para o segmento de educação no Brasil. Neste ano, a iniciativa obteve novo destaque ao conquistar o Grand Prix na categoria Glass: The Lion for Change, do Cannes Lions 2026 e um Leão de Bronze em Creative Data.
Outras ações em andamento incluem a aquisição de manequins de simulação realística com tons de pele diversos, a oferta de serviços assistenciais voltados a populações com marcadores étnico-raciais e o fomento à produção científica com foco em equidade na saúde. Em abril de 2024, por exemplo, o programa passou a apoiar projetos de pesquisa científica sobre diversidade nas 18 unidades de Medicina do IDOMED.
Para a professora e médica Amanda Machado, do IDOMED, o programa representa um avanço necessário: “O Mediversidade no curso de medicina, que é majoritariamente branco e elitista, se faz necessário e urgente como uma ação antirracista concreta. A formação médica deve se comprometer com a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra”, afirma.