Tereza Cristina recusa convite para vice de Flávio; PL mantém negociações abertas
Ex-ministra de Bolsonaro rejeita chapa; partido negocia alianças até as convençõesA senadora Tereza Cristina (PP-MS) recusou o convite para ser candidata a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial de 2026. A informação foi confirmada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A decisão ocorre às vésperas da convenção nacional do partido, marcada para este sábado (25), em São Paulo. Com isso, o PL deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro sem anunciar o nome do vice, mantendo a vaga em aberto até o encerramento do prazo legal das convenções, em 5 de agosto.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a definição dependerá das negociações políticas ainda em andamento.
"A princípio, não será anunciada [a chapa completa na convenção]. Nós temos até o dia 5 de agosto."
Segundo Marinho, a escolha da vice está diretamente ligada às alianças que o partido tenta construir.
"Nós estamos conversando com outros partidos, é evidente que essa decisão só ocorrerá quando tivermos um quadro mais claro de qual vai ser a nossa política de alianças. A partir daí é que vamos olhar, dentro dos quadros que existem em cada partido, quais são aqueles que se adequam ao perfil que nós achamos desejável."
Tereza Cristina se reuniu nesta terça-feira (21) com Valdemar Costa Neto e informou que pretende disputar a presidência do Senado em 2027.
Segundo interlocutores, a senadora avalia que integrar uma chapa presidencial inviabilizaria esse projeto político. Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, ela era considerada um dos principais nomes defendidos pela direção do PL para ocupar a vice-presidência.
Com a recusa, o partido voltou a concentrar esforços em outros nomes.
A principal preferência de Flávio Bolsonaro continua sendo a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro e ex-assessora especial do então ministro da Economia, Paulo Guedes.
Ela coordenou parte das propostas econômicas da pré-campanha e passou a atuar na elaboração de projetos voltados ao eleitorado feminino.
Sua indicação, porém, depende de um eventual acordo com o Republicanos, partido ao qual se filiou recentemente.
Além dela, seguem sendo citadas como alternativas as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE).
Centrão mantém distância do PL
As negociações do PL continuam concentradas no Republicanos e na federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
Nos bastidores, dirigentes das legendas indicam que a tendência permanece sendo a neutralidade na disputa presidencial.
No caso do Progressistas, pesa o desgaste entre Flávio Bolsonaro e o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo aliados, Ciro demonstrou insatisfação por não ter recebido apoio público do senador quando foi alvo de operação da Polícia Federal relacionada ao empresário Daniel Vorcaro.
Já o Republicanos aponta dificuldades para fechar uma aliança nacional por causa das disputas estaduais. Em estados como Roraima, Sergipe e Mato Grosso, o PL e o Republicanos apoiam projetos políticos distintos, dificultando um acordo nacional.
Convenção ocorrerá com chapa incompleta
A campanha avalia que manter a vaga de vice aberta preserva espaço para novas negociações até o dia 5 de agosto, prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções partidárias.
Dirigentes do PL afirmam que a oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro neste sábado deverá fortalecer as tratativas políticas e ampliar a autonomia do senador para concluir a formação da chapa presidencial nos próximos dias.