Promotor detalha 'três níveis' de atuação da organização ligada a Tatiana Medeiros
Na audiência final, MP descreve estrutura de crimes eleitorais e financeiros atribuídos ao grupo
O Fórum Eleitoral de Teresina encerra nesta sexta-feira (28/11) o último dia das audiências de instrução e julgamento que investigam a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), o namorado dela, Alandilson Cardoso Passos, e outros sete réus acusados de integrar um esquema envolvendo compra de votos, financiamento ilícito de campanha por facção criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa.
Durante a sessão, o promotor de justiça Mário Normando apresentou, de forma minuciosa, como o Ministério Público entende que funcionava a suposta estrutura criminosa. Segundo ele, as provas reunidas no processo apontam para três níveis distintos dentro da organização.
"Pelas provas que foram juntadas aos autos, existiam basicamente três níveis dentro dessa organização criminosa. Primeiro era a liderança, que era exercida aparentemente pela vereadora e pelo seu namorado. No segundo nível, o nível operacional e financeiro, pessoas que estariam recebendo alguns recursos, repassando para outros, repassando para a conta de eleitores. Nessa aí estaria o seu Stenio, a mãe, a senhora Maria e outras pessoas. E o dinheiro no núcleo operacional, que seriam pessoas responsáveis por fazer... Eventuais transferências, confirmação de votos e. Outras, outras, outras, outras coisas", disse.
Ele também explicou por que o caso, mesmo reunindo crimes comuns, tramita na Justiça Eleitoral. "Porque, às vezes vocês devem estar se perguntando por que esse processo, que tem vários crimes comuns, veio para a Justiça Eleitoral, né? É porque tem um crime eleitoral no meio e, por conexão, ele atrai a competência desses outros crimes pra cá. Se não existisse o crime eleitoral, esse processo seria da Justiça comum, mas como tem o crime eleitoral, atraiu essa competência pra cá".
Ao longo da semana, 65 pessoas prestaram depoimento perante o colegiado de juízes presidido pela magistrada Júnia Feitosa. Entre os ouvidos estão testemunhas, investigados e autoridades policiais que participaram das operações que originaram o processo, incluindo investigações que apontam a atuação direta de Alandilson Cardoso, preso no ano passado em Belo Horizonte.
Além de Tatiana e Alandilson, respondem à ação penal Stenio Ferreira Santos, padrasto da vereadora, Maria Odélia de Aguiar Medeiros, mãe da parlamentar, Emanuelly Pinho de Melo, Lucas de Carvalho Dias Sena, Bruna Raquel Lima Sousa, Sávio de Carvalho França e Bianca dos Santos Teixeira Medeiros.
O Ministério Público sustenta que a campanha de Tatiana Medeiros teria recebido recursos oriundos de uma facção criminosa atuante no Piauí, utilizada para lavagem de dinheiro e para ampliar influência política na capital. Parte das oitivas abordou movimentações financeiras classificadas como atípicas e relatos que, segundo o MP, reforçam a integração do grupo a um esquema estruturado.
As audiências ocorreram sem intercorrências relevantes, mas com forte repercussão política devido à gravidade das acusações. Encerrada a fase de instrução, o processo segue agora para as alegações finais das defesas e do Ministério Público, antes da sentença.