Após audiência, promotor diz que provas contra Tatiana e Alandilson são 'robustas'
Após fase oral, partes terão prazo para diligências antes das alegações finais e da sentençaO Fórum Eleitoral de Teresina encerrou, nesta sexta-feira (28/11), a fase de depoimentos e interrogatórios do processo que investiga a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), o namorado dela, Alandilson Cardoso Passos, e outros sete réus por supostos crimes eleitorais, financeiros e de organização criminosa. Com o fim da etapa de provas orais, o caso entra agora em uma nova fase processual que antecede a sentença.
A partir de segunda-feira (01/12), Ministério Público e defesas terão prazo para requerer novas diligências, etapa que pode incluir oitivas complementares, levantamentos e juntada de documentos. Depois disso, o colegiado de juízes decidirá o que será cumprido e, somente então, abrirá o prazo para alegações finais.
Durante a sessão final, as defesas apresentaram dois pedidos principais:
- Revogação da prisão domiciliar e do monitoramento eletrônico de Tatiana Medeiros;
- Reabertura do Instituto Vamos Juntos, que está interditado desde o início das investigações.
O Ministério Público se manifestou imediatamente contra ambos.
O promotor Mário Normando afirmou em sua exposição que os elementos constantes no processo indicam suspeitas suficientes de uso eleitoral da estrutura do instituto. “Existem indícios de que a estrutura do Instituto foi utilizada para benefício eleitoral. Não estou dizendo que todas as atividades desenvolvidas lá eram ilícitas, mas existem elementos que comprovam que de fato o Instituto foi utilizado para fins eleitorais”.
Ele reforçou que o MP foi contrário à reabertura do local e à revogação da prisão domiciliar da vereadora. “Nós já nos manifestamos pelo indeferimento dos pedidos, tanto da reabertura do Instituto quanto da revogação da prisão domiciliar e monitoramento eletrônico da ré Tatiana”.
O advogado de Alandilson, Wildes Próspero, disse que “foi construída uma narrativa” para ligar seu cliente a facções criminosas e que ele “não responde a nenhum outro processo, exceto o eleitoral”.
Segundo o promotor Mário Normando, os autos apresentam indícios de ligação de Alandilson com a organização investigada. “Pelas provas que foram juntadas aos autos, o Ministério Público tem uma posição um pouco diferente. A gente entende que existem elementos suficientes de que ele tenha pelo menos alguma ligação com essa organização criminosa que foi dita”.
O promotor reforçou que ainda não é possível falar em culpa definitiva antes da análise dos próximos passos. “A questão de culpa é mais adequada depois que essas diligências forem juntadas aos autos. Pode ser que a defesa junte algo que modifique o entendimento do Ministério Público”.
Ele também destacou que o conjunto probatório reunido até aqui é bastante significativo. “Até o momento, falar em juízo de culpa definitiva é precipitado. Mas o conjunto de provas hoje é muito robusto”.
Com a fase de produção de provas encerrada, o processo avança para o seu momento decisivo. Após a análise dos pedidos de diligências e o cumprimento das que forem deferidas, o Ministério Público apresentará suas alegações finais, seguido pelas defesas dos nove réus. Somente então o caso será concluso à junta de juízes, que definirá se Tatiana, Alandilson e os demais acusados serão condenados ou absolvidos.
O promotor finalizou lembrando que o processo discute práticas que afetam diretamente a democracia.
“É um processo que envolve uma discussão muito forte da sociedade, notadamente a questão de corrupção eleitoral. É fundamental refletir sobre a importância de o eleitor não vender o seu voto e acabar com essa prática criminosa que afronta a democracia”, concluiu.
A sentença não tem prazo definido, mas só será proferida após a conclusão de todas as etapas legais. Tatiana e Alandilson deixaram o fórum em silêncio.