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Rosimeiry Nunes relata perseguição e ataque violento na virada do ano

Secretária de Saúde de Francisco Ayres relata perseguição e ataque de ex-companheiro
Redação

Na madrugada do dia 1º de janeiro de 2026, a secretária municipal de Saúde de Francisco Ayres, Rosimeiry Nunes, foi vítima de uma tentativa de feminicídio dentro de sua residência. O ataque ocorreu por volta das 5h30, após a festa de Réveillon, quando o agressor invadiu a casa e a atacou fisicamente, também agredindo seu companheiro.

Rosimeiry relatou que vinha sendo perseguida pelo ex-companheiro desde setembro de 2025, quando decidiu romper definitivamente o contato. Segundo ela, as agressões verbais se intensificaram após a recusa em retomar o relacionamento. “Ele já me agredia verbalmente há algum tempo, mas eu nunca levei a sério. Em setembro, quando ele me procurou e eu não quis ficar com ele, começaram as ameaças. Eu bloqueei, mas em dezembro, por conta da troca de celular, ele voltou a me mandar mensagens e a me perseguir. Na virada do ano, ele dizia que eu tinha que deixar a pessoa com quem estava e ficar com ele. Quando invadiu minha casa, repetia: ‘isso aqui é pra você aprender a não me desafiar, pra você aprender a me respeitar’”, contou a secretária ao Jornal Conecta.

Durante a invasão, o agressor quebrou o vidro da janela para entrar no quarto e desferiu golpes contra Rosimeiry e seu companheiro. A secretária descreveu momentos de desespero e violência. “Ele estava alterado, conseguiu quebrar a janela e entrou. Eu tentei correr para o banheiro, mas ele me pegou e me atingiu várias vezes na cabeça. Ele dizia que ia me mostrar o que era o inferno. Foi uma cena de terror dentro da minha própria casa”, relatou.

A advogada Caroliny Nunes, que acompanha o caso, criticou a ausência de prisão em flagrante e a forma como a vítima foi tratada pelas autoridades. “Houve falha da Polícia Militar e da Polícia Civil. A PM alegou que não deu voz de prisão porque o agressor estava em centro cirúrgico, mas isso não justifica. Além disso, a delegacia não realizou de imediato o exame de corpo de delito, que é um direito da vítima. Rosimeiry me relatou que foi maltratada durante o interrogatório, sem acolhimento, e boa parte do que ela disse não foi registrada nos autos. Isso é inadmissível”, afirmou.

Rosimeiry reforçou que, após o ataque, vive em constante medo e insegurança. “Eu não consigo voltar para minha casa. Tenho medo de ser morta. Ele dizia que ia me mostrar o inferno e eu acredito que, se não houver justiça, ele pode tentar novamente. Eu quero que as autoridades façam seu papel e me garantam proteção”, declarou.

A entrevista concedida ao Jornal Conecta evidencia a gravidade do caso e expõe fragilidades na rede de proteção às mulheres. O episódio reforça a necessidade de responsabilização das autoridades e de medidas efetivas para garantir segurança às vítimas de violência.