Tatiana Medeiros: laudo da PF não encontra ligação com facção e compra de votos
Perícia identifica transferências via PIX e planilhas no dia da eleição, mas defesa questionaA Polícia Federal concluiu laudo pericial complementar sobre o celular iPhone Pro MAX da vereadora Tatiana Teixeira Medeiros, apreendido durante a operação Escudo Eleitoral. O documento, que analisou dados extraídos do aparelho, não identificou ordem direta de compra de votos nas eleições municipais de 2024 nem indícios de vínculo com a facção criminosa Bonde dos 40.
Segundo o laudo, embora hajam várias referências ao termo "compra de votos" em diálogos do relatório de extração, muitos fazendo alusão a notícias veiculadas na mídia, não foi localizada determinação explícita de compra de votos associada à investigada no pleito para vereador de 2024.
Transferências e planilhas no dia da eleição
O documento pericial ressalta, no entanto, que foram identificadas diversas conversas no WhatsApp com registros de transferências bancárias pelo sistema PIX no dia 6 de outubro de 2024, data do pleito eleitoral. Também foram encontradas imagens com comprovante de votação e título de eleitor, além de planilhas contendo nomes e quantidades de eleitores.
Segundo o laudo, estes elementos evidenciariam "a possibilidade de relação com a prática de compra de votos". Os registros estão em conformidade com o teor da Informação de Polícia Judiciária nº 482314/2025, que compõe os autos do Inquérito Policial nº 2024.123103.
Ausência de vínculo com facção criminosa
Quanto à suposta ligação com a facção Bonde dos 40, o laudo foi categórico: referências ao termo foram encontradas apenas no contexto de conversas sobre notícias veiculadas na mídia. A vereadora não participa de nenhum grupo em aplicativo de mensagens destinado a integrantes da organização criminosa.
A perícia também não verificou diálogos entre Tatiana Medeiros e o corréu Alandilson Cardoso Passos tratando explicitamente de compra de votos, embora existam conversas citando quantias em dinheiro destinadas a despesas de campanha política do pleito de 2024.
Defesa questiona interpretações do perito
Nesta quarta-feira (18/02), a defesa de Tatiana Teixeira Medeiros protocolou pedido de impugnação parcial do laudo pericial complementar. O questionamento concentra-se especificamente na resposta ao quesito 9, que indagava sobre a existência de determinação expressa para compra de votos.
Os advogados alegam que o perito extrapolou os limites técnicos ao acrescentar interpretações sobre "possibilidade de relação" com compra de votos, quando deveria ter se limitado a responder objetivamente aos quesitos apresentados.
A defesa solicita a intimação do perito oficial para elaboração de novo laudo, restrito estritamente às respostas objetivas, com supressão de inferências interpretativas. O pedido reforça que a valoração das provas compete exclusivamente ao juízo.
Subsidiariamente, caso seja reconhecido comprometimento da neutralidade técnica, a defesa requer a realização de nova perícia por outro núcleo técnico-científico, a fim de preservar a imparcialidade da prova.
Ressalvas técnicas
O próprio laudo pericial reconhece limitações metodológicas. O documento afirma que não é possível avaliar se os dados foram completamente preservados e que as informações são baseadas a partir do relatório gerado dos dados extraídos do aparelho.
O caso segue em investigação no âmbito da Operação Escudo Eleitoral, aguardando manifestação judicial sobre o pedido de impugnação apresentado pela defesa.